Salve-se quem puder #23 - Caetano
Existe uma teoria pouco discutida pela ciência de que a paternidade nasce junto com o bebê.
SALVE-SE QUEM PUDER
Sunça
5/15/20261 min read


*Texto de abertura da newsletter "Inatividade Ociosa" 15/05/2026
Existe uma teoria pouco discutida pela ciência de que a paternidade nasce junto com o bebê. E, de fato, comigo foi assim.
Junto com o Caetano, a paternidade simplesmente invadiu minha vida, rearranjou os móveis, destruiu minha noção de tempo e instalou um novo sistema operacional baseado em fraldas, sono fragmentado e uma preocupação constante com barulhos que talvez nem existam. Foi a origem de todo um universo dentro de uma casa bagunçada.
A.C. (Antes do Caetano), tentei me preparar: li livros, aprendi sobre sling, fralda, cólica e tudo mais. Eu e a Ana organizamos a casa e arrumamos o quarto do bebê pra descobrir, D.C. (Depois do Caetano), que criar um filho é uma mistura de documentário da natureza, reunião de condomínio, crise existencial, comédia pastelão e ficção científica de baixo orçamento.
É tudo em todo lugar ao mesmo tempo. O bebê dorme no barrigão do papai enquanto o Brasil e o mundo entram em colapso nas notícias, o gato vomita no quintal, o café esfria pela terceira vez e eu estou emocionalmente destruído porque um ser humano de cinco quilos sorriu pra mim.
Segundo pesquisas realizadas por mim mesmo, a paternidade é muito parecida com desenhar com pincel: você começa confiante, erra no início e depois passa o resto do processo tentando fazer parecer que tudo fazia parte do plano.
E pode virar a coisa mais bonita que eu já fiz.
Na verdade, já virou.


